domingo, 18 de dezembro de 2011

recomeçar

A vida não é uma recta. Nem sei se será, sequer, uma linha.
Olhar a vida com olhos de ver não é agarrar num punhado de lápis de cor e desenhar um arco-íris. E também não é pegar na borracha e apagar aquilo que já se viveu.
Viver a vida, é recomeçar, e saber fazê-lo. Recomeçar não é bom nem mau. Simplesmente, às vezes, é preciso. Recomeçar não é esquecer aquilo que se viveu, não é estalar os dedos e começar do princípio. Recomeçar não tem nada a ver com o princípio, mas com o caminho. Recomeçar é melhorar. É parar para analisar, e renovar a vontade de fazer melhor. Porque entre uma curva e outra da vida, há sonhos que ficam perdidos, projectos que se vão diminuindo, vontades que se vão perdendo. E esta vida que no princípio era a nossa, às tantas já é "qualquer coisa".
O Natal está à porta, e há-de ser cá dentro. É tempo de recomeçar, porque há coisas que (de todo) não estão bem.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

mão na consciência

Não tenho partido político. Desde pequena que me lembro de vibrar com as eleições, mas porque gostava das bandeirolas de muitas cores, e não porque me interessasse especialmente pela política. Fui crescendo ao som da caneta da minha mãe a escrever actas, e da sua voz a elogiar as boas escolhas e a queixar-se (muito mais vezes!) das escolhas menos certas e do muito muito muito trabalho que a política, indirecta ou directamente (não sei bem) lhe dava. Fui crescendo e comigo cresceu a curiosidade por esse mundo, das gentes engravatadas e com bom paleio, que aparentemente eram desenrascados porque tinham sempre resposta para tudo! Se calhar a escolha do meu primeiro curso foi muito motivada por este meu crescimento cercado de política à mesa das refeições. "Escrevo bem, argumento razoavelmente, até gosto de política... Direito, vamos ver o que dá". Tive muitas vezes, durante aquele semestre e meio, a folhinha de inscrição na JSD à minha frente. Ali, onde tudo é Direita. Nessa altura lembro-me de ter dito ao meu pai que só me filiaria num partido com cujas ideias concordasse na totalidade. Tenho procurado, a sério que sim, mas ainda não encontrei. Aliás, o meu pai respondeu-me logo que "a pensares assim, nunca te filias em nenhum... O que não é mau, mas nunca vais concordar com tudo". No entanto, e apesar de não ter partido político, tenho consciência política. Consigo agora, melhor do que antes, perceber as falácias nos discursos, as inconveniências, os jogos. Consigo agora perceber quando me estão a tramar a vida, à grande. E começo a perceber que, se calhar e com muita pena minha, este país (que é o meu) não me quer cá. Começo a pensar que daqui a dois anos quando for licenciada (e bem licenciada), o meu país vai fazer um manguito à minha formação, que uma qualquer França ou Inglaterra vai reconhecer como boa. Começo a pensar que, se calhar, tenho que me ir embora não tarda muito. E que, ainda que não vá, vou trabalhar que nem uma moura (com gosto, atenção, não é isso que está em causa), e vou receber como técnica de 5ª categoria, e não como licenciada. Porque no meu país os enfermeiros ainda são uma raça que parece que não faz muita falta, portanto "pague-se mal, que o que eles fazem qualquer um faz". Hoje não faço greve porque a greve não é para mim. Mas só por isso. Porque não tenho partido político, mas não sou parva, e não gosto de coisas pouco justas.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

brain storm

Tenho a manta enrolada aos pés da cama, dezenas de folhas de apontamentos para organizar, a mala para desfazer, sacos com compras para pôr no lugar, e um punhado de posters para colar na parede. Cá dentro, tenho um turbilhão de ideias que não param. Deixo-as passar, e não escolho fixar-me em nenhuma. Foi um dia assim. Meio esquisito. O telemóvel em cima da cama insiste em não tocar, e aquele café que íamos beber hoje à noite está hipotecado. E eu precisava de ir. De sair. De me sentir confortada por dentro, pelo quente de um café ou de um chá, e pela presença das almas que pintam a minha. Não é tristeza, a sério que não. É melancolia, mesmo. Daqueles dias em que só o que se precisa é mesmo de um chá! Já fui de extremos. Euforias e tristezas. E já confundi muitos dias como o de hoje com dias tristes. Olho à minha volta, outra vez. Em dois meses fiz destas quatro paredes um espaço meu. É fantástica a capacidade que temos de nos adaptar às mudanças. As mais pequenas, como um corte de cabelo ou uma casa, custam menos. As maiores, ah! as maiores, essas custam mais! Mas um dia, um dia como hoje, olhamos para dentro (como quem olha à sua volta) e vemos que aquilo que era um pedregulho no sapato, é agora já uma pedrinha pequenina que quase nem sentimos. E é por isto tudo, que está para aqui baralhado e aparentemente sem nexo, que eu gosto de viver! E que não percebo aqueles que não vivem... Para quem não é Feliz, o tempo não chega; parece que tudo corre, tudo foge; e não há tempo a perder, porque perder tempo significa perder coisas, pessoas, sentimentos, ocasiões, e tudo e mais alguma coisa. Para quem é Feliz, como eu, o tempo é vivido ao segundo. Não porque se acabe, ou porque signifique perder mais uma pedra do castelo. Pelo contrário, porque cada segundo é a oportunidade de ganhar mais uma pedra para a construção, de crescer mais um dedo, de aprofundar relações, de continuar a aprender a viver a Felicidade. Portanto, posto isto, não tenho mais argumentos para me convencer a mim própria de que este quarto hoje não fique arrumadinho. Porque, cá por dentro, enquanto os dedos se passeavam pelo teclado, foi-se tudo arrumando nos devidos lugares. E se o telemóvel não tocar e não formos beber café, hei-de beber uma chávena de chá na minha varanda com vista para a cidade. E para mim.

sábado, 22 de outubro de 2011

até quando?

Temos todos muita tendência a limitar-nos, no tempo. Vivemos a correr, a contar os minutos, viciados nos ponteiros do relógio. E estes, não raramente, parecem-nos correr. Fazemos valer-nos da velha máxima do carpe diem. Somos melhores se conseguimos gerir melhor o nosso tempo. Porque tempo é dinheiro, e o país está em crise. O tempo limita-nos, mas só se deixarmos. Um dia não chega para tudo, se não quisermos. Uma vida não chega se a passarmos a medir o tempo. Prazos para trabalhos, compromissos a horas certas, datas de validade da comida, o tempo que a máquina demora a lavar, mais um aniversário. Insistimos em medir o tempo. E, por isso, em vez de uma componente natural da vida, o tempo torna-se num bem escasso, e não renovável. E, depois, podemos correr o risco de lidar com o tempo dos sentimentos e das relações tal e qual como é limitada a validade de um iogurte. Entendo que há coisas que, por não se medirem, não serem lineares e não se poderem apressar, não têm tempo. Esta obsessão com o tempo elimina dissimuladamente dos nossos dicionários os conceitos de espera, de paciência e de perseverança. Eu cá, gosto destes conceitos. E não me assusta que o tempo seja para ser vivido mas não para ser esgotado, muito menos controlado. Portanto, quando vejo gente exasperada porque esperou meia hora na fila do supermercado, não posso deixar de pensar que não há necessidade disso. A vida não pára, é um facto. Mas não tem que se resolver toda num segundo, numa semana, num ano. A espera pressupõe já uma vida vivida. Aliada à perseverança, pressupõe uma espera activa, e não o passivismo de ver o tempo a passar. Esta espera de que falo implica um trabalho interior de todos os dias, implica querer todos os dias aquilo que se espera. E pouco importa quantos dias se espera, quanto tempo se espera. Enquanto há vida, há tempo. E, para mim, enquanto houver tempo há espera, e paciência, e perseverança. Porque quem Ama, espera. Nem que espere a vida toda.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

learning to fly.

Não é como um livro que se começa hoje a ler e se deixa quieto na mesa de cabeceira durante uma semana e meia. Não se aprende a voar da mesma forma que se aprende a construir um asa-delta. Não se aprender a voar da mesma forma que se vê um filme. Ler não chega. Ver não chega. É preciso tentar.

E quem fala de aprender a voar, pode falar também de aprender a viver. Acordar e alegar "não tenho asas" é vermelho directo no voo da vida. As asas crescem nas costas de quem tem vontade de aprender a fazer valer a sua vida. As desculpas não servem. E não ajudam, só atrapalham. É preciso olhar a vida de frente, olhos nos olhos, sem medo de a ver realmente. É preciso querer fazê-la valer a pena. É preciso querer vivê-la. E ter a coragem de mudar o que não encaixa. Aprender a viver é já viver. É cair e retomar o voo. É escolher novas rotas. É abandonar o que vai pesando. E é uma decisão para todos os dias. Aprender a voar, é viver.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

terraço.


Ouvem-se os sinos da Sé
E o teu olhar lê o meu

sábado, 15 de outubro de 2011

(re)fresh

I was searching
You were on a mission
Then our hearts combined
Like a neutron star collision




E, posto isto, há pouco ou nada a acrescentar.