Tenho a manta enrolada aos pés da cama, dezenas de folhas de apontamentos para organizar, a mala para desfazer, sacos com compras para pôr no lugar, e um punhado de posters para colar na parede. Cá dentro, tenho um turbilhão de ideias que não param. Deixo-as passar, e não escolho fixar-me em nenhuma. Foi um dia assim. Meio esquisito. O telemóvel em cima da cama insiste em não tocar, e aquele café que íamos beber hoje à noite está hipotecado. E eu precisava de ir. De sair. De me sentir confortada por dentro, pelo quente de um café ou de um chá, e pela presença das almas que pintam a minha. Não é tristeza, a sério que não. É melancolia, mesmo. Daqueles dias em que só o que se precisa é mesmo de um chá! Já fui de extremos. Euforias e tristezas. E já confundi muitos dias como o de hoje com dias tristes. Olho à minha volta, outra vez. Em dois meses fiz destas quatro paredes um espaço meu. É fantástica a capacidade que temos de nos adaptar às mudanças. As mais pequenas, como um corte de cabelo ou uma casa, custam menos. As maiores, ah! as maiores, essas custam mais! Mas um dia, um dia como hoje, olhamos para dentro (como quem olha à sua volta) e vemos que aquilo que era um pedregulho no sapato, é agora já uma pedrinha pequenina que quase nem sentimos. E é por isto tudo, que está para aqui baralhado e aparentemente sem nexo, que eu gosto de viver! E que não percebo aqueles que não vivem... Para quem não é Feliz, o tempo não chega; parece que tudo corre, tudo foge; e não há tempo a perder, porque perder tempo significa perder coisas, pessoas, sentimentos, ocasiões, e tudo e mais alguma coisa. Para quem é Feliz, como eu, o tempo é vivido ao segundo. Não porque se acabe, ou porque signifique perder mais uma pedra do castelo. Pelo contrário, porque cada segundo é a oportunidade de ganhar mais uma pedra para a construção, de crescer mais um dedo, de aprofundar relações, de continuar a aprender a viver a Felicidade. Portanto, posto isto, não tenho mais argumentos para me convencer a mim própria de que este quarto hoje não fique arrumadinho. Porque, cá por dentro, enquanto os dedos se passeavam pelo teclado, foi-se tudo arrumando nos devidos lugares. E se o telemóvel não tocar e não formos beber café, hei-de beber uma chávena de chá na minha varanda com vista para a cidade. E para mim.
Felicidade, s. f. (do Latim felicitate). Qualidade ou estado de quem é feliz. Ventura; boa fortuna; sorte. Êxito. Contentamento.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
sábado, 22 de outubro de 2011
até quando?
Temos todos muita tendência a limitar-nos, no tempo. Vivemos a correr, a contar os minutos, viciados nos ponteiros do relógio. E estes, não raramente, parecem-nos correr. Fazemos valer-nos da velha máxima do carpe diem. Somos melhores se conseguimos gerir melhor o nosso tempo. Porque tempo é dinheiro, e o país está em crise. O tempo limita-nos, mas só se deixarmos. Um dia não chega para tudo, se não quisermos. Uma vida não chega se a passarmos a medir o tempo. Prazos para trabalhos, compromissos a horas certas, datas de validade da comida, o tempo que a máquina demora a lavar, mais um aniversário. Insistimos em medir o tempo. E, por isso, em vez de uma componente natural da vida, o tempo torna-se num bem escasso, e não renovável. E, depois, podemos correr o risco de lidar com o tempo dos sentimentos e das relações tal e qual como é limitada a validade de um iogurte. Entendo que há coisas que, por não se medirem, não serem lineares e não se poderem apressar, não têm tempo. Esta obsessão com o tempo elimina dissimuladamente dos nossos dicionários os conceitos de espera, de paciência e de perseverança. Eu cá, gosto destes conceitos. E não me assusta que o tempo seja para ser vivido mas não para ser esgotado, muito menos controlado. Portanto, quando vejo gente exasperada porque esperou meia hora na fila do supermercado, não posso deixar de pensar que não há necessidade disso. A vida não pára, é um facto. Mas não tem que se resolver toda num segundo, numa semana, num ano. A espera pressupõe já uma vida vivida. Aliada à perseverança, pressupõe uma espera activa, e não o passivismo de ver o tempo a passar. Esta espera de que falo implica um trabalho interior de todos os dias, implica querer todos os dias aquilo que se espera. E pouco importa quantos dias se espera, quanto tempo se espera. Enquanto há vida, há tempo. E, para mim, enquanto houver tempo há espera, e paciência, e perseverança. Porque quem Ama, espera. Nem que espere a vida toda.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
learning to fly.
Não é como um livro que se começa hoje a ler e se deixa quieto na mesa de cabeceira durante uma semana e meia. Não se aprende a voar da mesma forma que se aprende a construir um asa-delta. Não se aprender a voar da mesma forma que se vê um filme. Ler não chega. Ver não chega. É preciso tentar.
E quem fala de aprender a voar, pode falar também de aprender a viver. Acordar e alegar "não tenho asas" é vermelho directo no voo da vida. As asas crescem nas costas de quem tem vontade de aprender a fazer valer a sua vida. As desculpas não servem. E não ajudam, só atrapalham. É preciso olhar a vida de frente, olhos nos olhos, sem medo de a ver realmente. É preciso querer fazê-la valer a pena. É preciso querer vivê-la. E ter a coragem de mudar o que não encaixa. Aprender a viver é já viver. É cair e retomar o voo. É escolher novas rotas. É abandonar o que vai pesando. E é uma decisão para todos os dias. Aprender a voar, é viver.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
(re)fresh
I was searching
You were on a mission
Then our hearts combined
Like a neutron star collision
E, posto isto, há pouco ou nada a acrescentar.
You were on a mission
Then our hearts combined
Like a neutron star collision
E, posto isto, há pouco ou nada a acrescentar.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
esta noite
Se quero ser eu a escrever a minha vida, tenho decisões a tomar. Não raras vezes, tenho de escolher entre uma mão cheia de caminhos. E, se quero viver a minha vida ao invés de deixar que os outros façam dela o que quiserem, tenho que ser eu a escolher qual é o caminho por onde vou. É fácil cair no erro de me deixar levar pelo que ditam as modas, os costumes, as tradições, os hábitos... É fácil ir para onde os outros vão. Porque os outros, muitas vezes, até são os meus amigos, ou a minha família. É fácil ir com a multidão, porque me demito da escolha. Uma escolha que é minha. Mas escolher, ah!, escolher exige tanto de mim! Exige que me conheça e, acima de tudo, exige que eu saiba onde quero chegar, para assim saber por onde devo ir. Nem sempre ganho neste jogo das escolhas. Nem sempre consigo levar a minha escolha até ao fim. Porque são muitos aqueles que me dizem e me querem mostrar, das mais variadas formas, que um caminho diferente do que eu escolhi é melhor. Nem sempre ganho o direito de escrever as linhas da minha vida. Porque também nem sempre tenho em mim, bem forte e viva, a certeza de onde quero chegar. Hoje ganhei, num passo pequeno, numa encruzilhada. E tenho a caneta na mão, porque a minha escolha foi isto mesmo: minha. Talvez porque foi fácil, e a "publicidade aos outros caminhos" foi fraquinha. Talvez porque as outras opções não me atraiam. Talvez porque.... Ou talves porque sei que quero ser Santa, e que a Santidade se constói, precisamente, nas escolhas dos dias mais banais.
Subscrever:
Mensagens (Atom)